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curta #2

Drink to achieve your dream. But later u will pay!

até que ponto as lutas são essenciais para superar barreiras e poder ser reconhecido por seu valor? de que tipo de lutas falamos e quais são válidas na sociedade contemporânea?

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justos?

Reblogged from andré araujo:

De que adianta?

De que adianta ser justo,

na injustiça dos outros?

D‘ que adianta ser injusto

na justiça dos outros?

para pensarmos e voltarmos 48 anos atrás, quando militares organizaram-se para por fim ao regime democrático no Brasil

inquietos

INQUIETOS (Restless) de Gus Van Sant

EUA, 2011

Com Mia Wasikowska, Henry Hopper, Ryo Kase

O diretor alternativo Gus Van Sant apresenta poucos personagens em Inquietos: dois jovens, Enoch Brae (Henry Hopper) e Annabel Cotton (Mia Wasikowska), ele traumatizado pela morte de sua família e ela em estado de câncer terminal. A preocupação com o fim da vida é a rotina dos dois.

Por um lado, Enoch – fisicamente saudável – perdeu a fé na vida, nunca anda de carro (já que perdeu toda a sua família ali) e tem o costume de ser “penetra” em funerais, tornando-se uma figura reconhecida pelos organizadores e religiosos dos eventos; por outro lado, a solitária e bela Annabel é apaixonada pela vida e pelo mundo natural, se divertindo com livros de Charles Darwin e sem manifestações comuns de tristeza pela sua eminente morte. O que o motiva a ter essa fixação pela morte? O que a impulsiona a continuar a viver?

Quando os dois se conhecem, em um funeral, logo se apaixonam. E este amor é fortemente marcado pela presença da amizade, dois pontos que se complementam mas nem sempre estão presentes. Com sábia elegância e poética linguagem, Inquietos mostra um casal que se depara com um conflito contra o qual não podem lutar, o “morrer”. Diante disso, decidem experimentar o “viver”, ele promete, em três meses, garantir a ela todos os momentos que Annabel deve ter, sejam eles simples, românticos ou inusitados.

Ao longo do roteiro, conforme vão se conhecendo, eles se afastam mais ainda do contexto social e passam a frequentar o estado de natureza, como lagos, florestas e até mesmo cemitérios. Estimulados pela atração de Annabel pelo mundo natural, ambos acabam por concretizar seu amor em uma cabana de floresta, contrapondo-se à cena de um jogo de esportes, no qual ela conta à ele sua doença terminal.

Acredito que seja quase impossível assistir esse filme sem ser abraçado pela profunda beleza. Afinal, é um casal de deslocados (mesmo que não sejam a maioria, quantos não se sentem enquadrados dentro desse mundo?) com um ar de antiguidade presente nas suas roupas, músicas, livros. Vale a pena adicionar que a atriz Mia Wasikowska usa o mesmo corte de cabelo de Mia Farrow em O bebê de Rosemary, marcando ainda mais sua beleza. Sendo assim, é possível entender como uma fábula com ar de tragédia antiga, isto é, uma utopia – algo que não tem lugar, mas isso não quer dizer que seja impossível, já dizia um saudoso professor de Geografia que me ensinou o valor das lutas e dos ideais para ser reconhecido.

Em outras palavras, ainda que seja um filme com um tema tão carregado, a abordagem de Van Sant é leve e introspectiva, sem invadir o espectador, mas envolver o seu íntimo. Sendo assim, constitui-se na exposição de uma romântica amizade e de uma maneira de olhar para o dualismo vida e morte, aceitando assuntos tão doloridos.

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poesia política

A construção de uma política
ergue-se numa base crítica
e passa pela poesia
e também pela cortesia

Somente o espírito revolucionário
através do ideário diário
seja voluntário, seja involuntário
pode efetivamente ser um movimento contrário

A atual visão de mundo
pede transformação
através da beleza do submundo
e de sua contínua ação

Esboçar um novo destino, através da poesia,
é uma batalha política.
Afinal, o que é política, senão poesia?

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sidewalls

MEDIANERAS: BUENOS AIRES NA ERA DO AMOR VIRTUAL (Medianeras) de Gustavo Taretto

Argentina/Espanha, 2011

Com Pilar López de Ayala, Javier Drolas

Medianeras é um filme feito pelos hermanos que mostra, sobretudo, a relação do indivíduo com a cidade que o cerca. No caso em questão, Buenos Aires é um lugar no qual milhões se cruzam todos os dias, mas ninguém realmente se encontra, pois a lógica que moldou o comportamento social e até mesmo a infraestrutura urbana nos diz para seguirmos adiante, rumo a um fim que não está definido. São verdades que vivencio também em São Paulo ou em qualquer outra cidade grande. O diretor busca integrar, poeticamente, a capital argentina ao enredo, modificando as paredes de concreto, os emaranhados de fios, a ocultação pelos edifícios em um significado que põe em xeque o desenho dos espaços urbanos contemporâneos.

A obra nos mostra a metrópole portenha vista pela ótica de dois jovens que sofrem de problemas decorrentes da impotência frente à grandeza da cidade, à velocidade da vida contemporânea e à perversidade de um mundo que já não mais atende aos humanos, mas à interesses materiais. Durante a exibição, nos questionamos sobre a nossa existência, marcada por forte presença da tecnologia. Sem dúvida, os computadores afetam a nossa sociabilidade, porém nem sempre negativamente, isso decorrre de serem portas para um mundo distante e desconhecido. Além disso, a tecnologia nos supre com distrações para quando a vida “                ao vivo” passa a ser vivida isoladamente.

Frente a esse contexto, aproveito para falar dos protagonistas, ambos vivem na mesma quadra da Avenida Santa Fé e estão sempre por perto, mas nunca juntos. São apresentados paralelamente e se encontram no final: Martín (Javier Drolas)  e Mariana (Pilar López de Ayala). Ele, atento às transformações da cidade que habita e viciado nas maravilhas tecnológicas. Ela, crítica da arquitetura da capital e frustrada em sua vida sexual. São pessoas que buscam tapar seus buracos, existenciais e amorosos, através do consumo, do trabalho, dos passeios reflexivos pelas ruas… São alguns confortos que a cultura do século XXI nos apresenta, mas que não constituem uma base suficiente para uma vida suficientemente agradável.

Esses dois, que sofrem pesadamente pelo lado ruim que a modernidade carrega, são fragmentos de um cotidiano com o qual nos identificamos ao assistir o filme. Entre outros pontos, a paisagem de tais cidades é fortemente identificada por prédios que sufocam os pedestres e os moradores, transformando todo o ambiente em uma imensidão sem luz, sem natureza, sem vida social. Tal apresentação é a mesma que senti ao assistir a cidade presente em Alice.

Também vale a pena dizer que Martín vive com um cachorro em seu pequeno apartamento, constituindo a sua relação com o mundo exterior e é através de tal animal que ele sai para a rua, encontra a cuidadora de cachorras e faz sexo casual, mas nunca com relacionamentos permamentes. Foi um presente deixado por sua ex-namorada que abandonou Martín e a Argentina após a grave crise de 2001 motivada pelo programa econômico neoliberal (que pode ser narrada desde passeatas populares até a declaração de Estado de sítio pelo presidente) que mostra uma falha que marca até hoje o povo vizinho. Uma falha também vista no crescimento arquitetônico da cosmopolita Buenos Aires, que possui uma paisagem em constante mudança e uma realidade social tentando se adaptar à nova realidade.

Ao passo que Mariana vive fora de seu apartamento, decorando vitrines, ele trabalha como web designer, fechado em seu apartamento e cercado por objetos que “são os nossos brinquedos: consolos às pressões incessantes por conseguir o dinheiro para poder comprá-los, e que, em nossa busca deles nos infantilizam.” São as palavras de Deyan Sudjic no livro A linguagem das coisas. Portanto, os dois personagens são criadores que expressam a arte para os outros e não para si, tentando fugir de suas angústias, fobias e frustrações diante do cenário caótico e irregular.

Ademais, Medianeras merece destaque pela sua ótima trilha sonora que carrega tanto um ar de melancolia quanto de amor. Outro ponto importante é o modo como a câmera consegue captar as ideias presentes no filme, mesmo nos exíguos espaços das kitchentes de Mariana e Martí quanto nos amplos recortes exteriores de Buenos Aires. De certo modo, recorda-me da genialidade de Polanski em O bebê de Rosemary. Em outras palavras, creio que posso resumir o longa de Gustavo Taretto como uma discussão em torno da solidão e da procura do belo no caos, onde a era virtual predomina sem preencher vazios.

trailer oficial

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